自在young
Livre juventude
Minha juventude, eu sou Yang Yang
Esta biografia foi lançada em 2016 pelo Yang Yang.
Todos os seus lucros foram doados.
Tradução de chinês para inglês:
Yang2archive, 994everyang, Xiaosu83583124
Tradução para português brasileiro:
Yang Yang Brasil
Reprodução autorizada com créditos.
Proibida venda deste arquivo.
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CAPÍTULO 01
Há apenas uma posição central no palco
Prestar o exame para a Academia de Artes do Exército aos onze anos foi uma “grande decisão” que tomei naquela época. Minha professora teve um papel muito importante em convencer meus pais.
Naquele período, havia uma apresentação muito importante na escola. Originalmente, planejávamos encenar um drama de dança com três meninos. No entanto, antes da apresentação, um dos garotos ficou doente e não pôde participar. A professora me colocou como substituto de última hora.
Levei apenas três dias para aprender toda a coreografia e, em seguida, subi ao palco. A apresentação foi muito boa; pelo menos, não cometi nenhum erro.
A professora ficou muito satisfeita e achou que eu tinha potencial para a dança. Por isso, sugeriu aos meus pais que me deixassem prestar exames para uma escola de artes. Além disso, minhas notas nas disciplinas acadêmicas naquela época não eram muito boas. Se eu seguisse o caminho tradicional e fizesse o exame de admissão comum como todos os outros, talvez não conseguisse entrar em uma boa escola.
Meus pais refletiram sobre o que a professora disse e então concordaram em me deixar tentar ingressar em uma escola de artes.
Mas eles não esperavam que eu quisesse prestar o exame para a Academia de Artes do Exército, e naquela época não concordaram com essa decisão.
O motivo era muito simples. Primeiro, a escola ficava longe de casa, em Pequim. Eu havia crescido ao lado dos meus pais e, até então, nunca tinha morado longe deles.
Segundo, a administração da Academia de Artes do Exército era mais rígida e exigente do que a de outras escolas de artes. Afinal, eu tinha apenas 11 anos, e meus pais ainda não queriam me ver passar por tantas dificuldades.
Mas eu decidi me candidatar e fui para a entrevista.
A razão também era muito simples. Desde criança, eu era fascinado por soldados. Achava que os homens deveriam ser assim. Eu considerava o uniforme militar muito bonito e admirável. Se eu pudesse usá-lo, me sentiria extremamente orgulhoso.
Além disso, desde pequeno eu gostava de assistir a eventos nacionais, programas militares e à seção militar do Global Times. Em resumo, eu era fascinado por tudo o que estivesse relacionado aos militares e ao exército.
Naquela época, eu era muito determinado. Dizia a mim mesmo que, se não conseguisse passar no exame da Academia de Artes do Exército, tentaria novamente no ano seguinte. Até ser aprovado, eu não pensava em ingressar em nenhuma outra escola de artes.
A entrevista foi muito tensa. Eu estava nervoso e sem muita esperança.
Durante a entrevista, uma das provas consistia em fazer uma parada de mãos. Todos os outros se saíram muito bem. No final, eu não consegui me sustentar e caí. Não sei o que havia acontecido. Simplesmente perdi o equilíbrio e fui ao chão.
Depois da queda, fiquei muito envergonhado e não sabia o que fazer nem como mudar a impressão que havia deixado nos avaliadores. Apenas fiquei em pé, reto, observando de lado de forma constrangida enquanto esperava os outros terminarem.
No entanto, tive muita sorte. Tive três oportunidades de tentar e me saí bem nas outras avaliações. No final, fui selecionado.
Além das habilidades básicas, havia mais um aspecto importante para os estudantes de dança: as condições inatas, como o desenvolvimento físico, as proporções corporais e a capacidade de aprender dança. Aos olhos da minha professora, eu era uma criança que possuía essas qualidades de forma bastante favorável. Além disso, eu só havia frequentado uma aula de dança por interesse e não tinha recebido treinamento profissional. Relativamente falando, eu era uma folha em branco. Era mais fácil para um professor ensinar um aluno assim desde o início, então isso era considerado uma vantagem para mim.
Infelizmente, naquela época eu não fui admitido como bolsista do governo. O benefício dos estudantes bolsistas era que, após a formatura, eles poderiam ser designados para servir nas forças armadas, algo que eu considerava muito bom. Mas, naquela época, eu era um estudante autofinanciado. Isso significava que, depois de me formar, eu teria que continuar meus estudos em instituições de ensino superior ou me candidatar a outras escolas, como a Academia de Dança de Pequim, a Academia Central de Teatro e outras.
Escolher estudar na Academia de Artes do Exército foi um ponto de virada muito importante na minha vida. As pessoas costumavam dizer que os meninos têm mais resistência para aprender, e eu realmente era assim naquela época.
Quando fiz o exame para a Academia de Artes do Exército, minhas notas não eram excelentes. Muitas pessoas haviam sido admitidas como bolsistas do governo, e isso se tornou uma grande motivação para mim, porque sou naturalmente competitivo e não permito que eu seja ruim em algo. Por que os outros conseguiam se sair bem? Por que os outros conseguiam? Por que os outros eram admitidos como bolsistas do governo?
Eu não me conformava com isso. Não acreditava ser inferior a ninguém, então decidi estudar com afinco até me tornar o melhor.
Quando eu estava apenas no primeiro ano, era realmente uma folha em branco. Minha base não era tão boa quanto a dos outros. Por isso, durante as aulas e apresentações, eu sempre ficava nas laterais, enquanto o centro era reservado para aqueles que dançavam bem. E eu não aceitava isso.
No segundo ano, comecei a me destacar: pouco a pouco, fui saindo das laterais e me aproximando do centro; quase chegando ao centro, fui mudando minha posição gradualmente até finalmente conseguir ocupar firmemente o lugar central. No início, durante os exames, eu simplesmente pensava que precisava dançar o melhor que pudesse e conquistar a posição central. Depois disso, passei a ficar em primeiro lugar em todos os exames.
CAPÍTULO 02
Aqueles Anos na Academia de Arte do Exército
Muitas pessoas dizem que quem estudou dança sabe suportar dificuldades. Acho que essa afirmação é verdadeira.
Os anos em que estudei dança na Academia de Artes do Exército foram muito importantes para mim. Por um lado, eu me dedicava intensamente à dança e me tornava cada vez mais profissional; por outro, foi um período fundamental para a formação do meu caráter.
A Academia de Artes do Exército era administrada sob um sistema militar. Havia um forte espírito militar, treinamentos de alta intensidade, disciplina rigorosa e exigência de obediência, fatores que influenciaram profundamente o desenvolvimento da minha personalidade. Eu estava na adolescência e fui muito moldado por esse ambiente. Olhando para trás hoje, posso dizer que essa experiência foi um benefício para toda a vida.
Quando fui admitido na Academia de Artes do Exército, foi a primeira vez que precisei sair de casa. Naquela época, meus pais ainda moravam em Xangai, e eu fiquei sozinho em Pequim. De acordo com as regras da escola, depois que os pais levavam os filhos para a matrícula, precisavam voltar para casa imediatamente. Diziam que a gestão era totalmente fechada e que não adiantava permanecer ali porque não poderiam ver os filhos. Por isso, meus pais voltaram para casa logo depois.
Eu não tinha experiência nem havia buscado informações antecipadamente, mas, na prática, muitos pais não foram embora. Embora a administração fosse realmente fechada, como os alunos tinham acabado de ingressar, a escola ainda permitia algumas visitas dos pais.
Lembro-me disso muito claramente. Havia oito pessoas no dormitório, e muitos pais ainda estavam por perto. À noite, eles iam visitar os filhos, levavam frutas, cabides, meias e outras coisas. Quando eu via aquela cena, me sentia muito abalado.
Depois, não aguentei mais. Corri para telefonar para o meu pai e comecei a chorar. Desmoronei já no primeiro dia de aula e queria voltar para casa. Pelo telefone, meu pai prometeu que viria me visitar quando o treinamento militar terminasse. Eu era muito novo e via tudo de forma simples, então fiquei consolado e disse ao meu pai:
— Quando vier, traga alguns hambúrgueres para mim.
Depois do treinamento militar, meu pai realmente foi me visitar na escola e me trouxe hambúrgueres. Ficamos na cantina, e ele me observava enquanto eu os devorava com entusiasmo. Eu tinha planejado reclamar de todo o sofrimento quando ele chegasse, mas fiquei tão feliz em vê-lo que esqueci completamente tudo o que queria dizer.
O treinamento militar e as aulas eram muito intensos todos os dias. Todas as manhãs, precisávamos acordar às 5h50 para começar o dia. Às vezes tínhamos meio período de aulas acadêmicas e meio período de aulas de dança; outras vezes, passávamos o dia inteiro nas aulas de dança. À noite, o horário de estudo geralmente era usado para ensaios coletivos ou prática individual. Só podíamos ir dormir às 22h.
No restante do ano era suportável, mas as aulas de dança durante o verão eram especialmente difíceis. Os professores pediam que cada um levasse várias camisetas extras. Em uma única aula de dança folclórica, precisávamos trocar de camiseta até três vezes. Enquanto estávamos dançando, tudo bem, porque nossa atenção estava voltada para o ritmo e os movimentos. Mas, durante os intervalos, o chão ficava literalmente coberto de suor.
Os professores também eram muito interessantes. Cada um tinha um estilo diferente e exigências próprias para seus alunos. Nossa turma teve justamente um professor extremamente rigoroso. Os alunos e alunas precisavam permanecer separados. Por isso, eu invejava os estudantes de outras séries que podiam assistir às aulas juntos. Meninos e meninas trocavam bilhetes às escondidas. Hoje, olhando para trás, acho aquilo muito divertido, quase como um trabalho clandestino.
Meus pais foram para Pequim me acompanhar no segundo semestre do quarto ano, porque naquele ano sofri uma lesão séria durante uma aula profissional. Foi uma lesão grave, e fiquei sem poder voltar à escola por meio mês. Meus pais vieram cuidar de mim, e os professores foram muito atenciosos. Nosso diretor, o senhor Liu Min, indicou um lugar melhor para o tratamento. Todos os dias, meu pai me levava de carro até Xiangshan para fazer a recuperação.
O que mais me emocionou foi que, mesmo sem treinar por tanto tempo e apenas assistindo às aulas como observador, minha professora manteve meu papel em uma apresentação importante. Naquele espetáculo, ela era a intérprete principal, e eu atuava ao seu lado como um dos melhores alunos escolhidos por ela. Se a apresentação fosse prejudicada por minha causa, isso também teria consequências negativas para ela.
Naquela situação especial, fiquei profundamente grato pela confiança que ela depositou em mim. Manter minha posição foi um enorme reconhecimento.
Depois da apresentação, a professora me perguntou como eu me sentia e se estava sentindo algum desconforto. Respondi que estava tudo bem. Ela ficou muito satisfeita e disse:
— Yang Yang, você é o melhor aluno que vi nos últimos cinquenta anos. Você tem excelentes qualidades naturais e, além disso, está disposto a trabalhar duro.
Na época, eu era jovem e não me preocupava muito com lesões. Pensava que, quando um garoto se machuca, logo esquece a dor e segue em frente; isso era normal, então eu não deveria dar tanta importância.
Foi apenas nos últimos anos que comecei a perceber que preciso cuidar melhor do meu corpo e evitar lesões, algo que se tornou cada vez mais importante. Ainda tenho sequelas daquela lesão. As articulações cartilaginosas entre duas vértebras lombares das minhas costas continuam lesionadas. Essa é uma consequência da queda que sofri naquela época. Além disso, eu não fiz um tratamento realmente adequado, então nunca me recuperei completamente.
Outra coisa é que, sempre que você se machuca, seus pais inevitavelmente ficam preocupados. Quando lesionou minha cintura, meus pais ficaram extremamente nervosos e me levavam para sessões de fisioterapia todos os dias. Foi um período muito difícil para eles também.
Nos dois primeiros anos após a matrícula, minha mãe não foi para Pequim me acompanhar. Durante as férias, eu fazia minhas malas e voltava para casa sozinho. Certa vez, minha mãe viu minhas botas militares gastas dentro da bagagem e começou a chorar. Ela sentia que eu estava sofrendo demais vivendo sozinho tão longe de casa.
Mas eu não pensava assim. Eu era jovem, cheio de energia e determinação. Não é assim que um homem deveria ser?
Comparado às dificuldades dos treinamentos, o que mais me dava satisfação era o orgulho de ser um aluno de destaque, aquela sensação de reconhecimento e autoconfiança. E sempre que eu tinha um bom desempenho nos exames, meus pais me davam presentes como recompensa. Isso também era uma forma inteligente de me incentivar. Afinal, muitas crianças se sentem mais motivadas a estudar quando recebem recompensas.
Falando nisso, uma vez meu pai me presenteou com um DVD portátil. Era enorme, maior do que o de todos os meus colegas. Quando levei o aparelho para a escola, meus colegas ficaram morrendo de inveja.
Toda vez que eu olhava para ele, sentia uma enorme confiança, porque era algo conquistado com o meu próprio esforço.
CAPÍTULO 03
Fazer as coisas bem é muito legal
Sou muito grato a esta era, uma era chamada por todos de “pequena carne fresca” (*Jovem celebridade masculina bonita e em ascensão). Aconteceu que minha mãe deu à luz uma “pequena carne fresca” como eu. Sempre que a mídia perguntava, eu respondia francamente que me sentia muito feliz e sortudo. Mas, por trás da aparência de uma “pequena carne fresca”, espero também ter o sabor de uma “carne de porco braseada” (*Uma celebridade multifacetada).
Todo mundo ama a beleza, e os meninos não são exceção. Mas, para um garoto, mais precisamente, o que ele busca não é beleza, e sim ser “bonito” e “descolado”. Além da aparência, isso está mais relacionado a uma condição, ou à forma e atitude com que se faz as coisas.
Por exemplo, quando eu era criança, achava que dançar bem parecia muito descolado e bonito, então tentei aprender dança para que todos vissem o quanto eu era legal. Eu achava que vencer jogos e passar de fase era algo incrível, então me dedicava a aprender com entusiasmo. Achava que jogar basquete bem era legal, então me esforçava para praticar. Achava que dirigir bem e nadar bem eram coisas admiráveis, então procurava fazer essas atividades da melhor forma possível. Às vezes, penso que talvez eu busque o significado máximo de tudo apenas por causa dessas duas palavras.
Inclusive atuar. Na minha opinião, fazer qualquer coisa bem é algo admirável. Aos meus olhos, esse tipo de pessoa é alguém que brilha, como se tivesse sua própria energia. Espero ser esse tipo de pessoa, por isso faço tudo com seriedade, desde que decida fazê-lo.
A maior diferença entre mim e outros garotos era que minha forma de rebeldia era diferente. Muitas pessoas fazem coisas proibidas achando que isso é rebeldia, mas, como vivi na Academia de Artes do Exército, o que eu entendia por rebeldia era a disputa entre você e si mesmo. Se você quer superar a si próprio, quanto mais difícil for, melhor deve fazê-lo. Essa é a minha forma de ser “rebelde”. Acho uma grande conquista me “torturar” para superar meus próprios limites.
Por isso, quando estava gravando uma série, eu sempre dava o máximo de mim e era muito rigoroso comigo mesmo. Às vezes, o diretor dizia que estava bom, mas, quando eu assistia à repetição, sentia que não tinha filmado bem o suficiente e ficava insatisfeito. Então, frequentemente, tomava a iniciativa de pedir ao diretor para refazer a cena.
Quando filmava The Lost Tomb, eu disse ao coordenador de artes marciais que ele teria trabalho comigo, porque eu tomaria a iniciativa de pedir treinos extras.
Seja em um drama comum ou em um drama de artes marciais, todas as produções têm suas técnicas, e os atores precisam encontrar seus próprios métodos. Quando comecei a filmar cenas de ação, fiquei um pouco perdido. Eu só sabia lutar usando força bruta. Como resultado, sofri muitas lesões.
Houve uma cena em uma tumba antiga durante as filmagens de The Lost Tomb. Havia uma árvore enorme, um grande adereço com mais de dez metros de altura, com tábuas e pregos presos nela. Eu precisava executar um movimento em que girava o corpo e subia pela árvore de forma elegante. Essa ação foi repetida muitas vezes apenas para que a imagem ficasse bonita diante da câmera.
Quando o diretor disse que estava bom, fiquei muito feliz em descer e assistir à repetição, e achei que realmente tinha ficado ótima. Mas, depois de remover a maquiagem, descobri várias cicatrizes e arranhões causados pelas correias de segurança que haviam machucado meu corpo inteiro.
Lesões como essas durante as filmagens se tornaram algo rotineiro para mim por muito tempo. Minhas costas, cintura, pernas e muitas outras partes do corpo ficaram machucadas. Além disso, como eu não sabia como tratar e cuidar adequadamente das lesões logo após me machucar, quase todas deixaram sequelas, como problemas recorrentes nos pés. Eu costumava ser o tipo de pessoa que não dizia uma palavra nem parava quando estava ferido, porque tinha medo de afetar o andamento das filmagens e atrasar o trabalho dos outros. Se isso acontecesse, eu me sentiria muito mal.
Como eu era estudante de dança, aprendia movimentos de luta com bastante rapidez. Depois de vê-los duas ou três vezes, já conseguia executá-los com fluidez. Nos primeiros tempos, eu achava que os movimentos de luta precisavam ser feitos com muita força e gestos amplos para parecerem poderosos e produzirem um bom efeito, então sempre colocava toda a minha energia nisso.
Até que, durante as filmagens do filme Once Upon a Time, o irmão Yan Yikuan me disse: “Yang Yang, você não precisa colocar tanta força assim.”
Ele me ensinou que, observando o processo de filmagem, nem sempre é bom usar muita força ou fazer gestos exagerados, porque às vezes o resultado nem aparece na câmera. O importante é que, no instante em que o movimento passa diante da câmera, sua ação seja muito rápida; é isso que faz a cena ficar boa.
Lembro que, durante as filmagens de Once Upon a Time, havia muitas cenas de luta, muitos saltos mortais para trás e cenas de voo com cabos de sustentação. Filmei mais de vinte tomadas. O diretor era virginiano e bastante exigente com a perfeição. Depois de filmar muitas vezes, ele finalmente ficou satisfeito e disse que estava bom.
Eu mesmo assisti à repetição e disse que ainda não estava bom o suficiente e que deveríamos fazer de novo. Quando dois virginianos trabalham juntos, realmente dá dor de cabeça. Naquela época, continuei filmando cenas de luta repetidamente, tantas vezes que minha peruca quase caiu da cabeça.
Quando eu estava filmando The Whirlwind Girl, estava na minha pior condição física. Pouco antes disso, machuquei a cintura durante as gravações de Divas Hit the Road. Na época, eu estava no exterior e fui praticar um esporte aquático com Chen Yihan. Durante a atividade, acabei caindo acidentalmente. Depois que voltei, não me recuperei; a lesão não havia sido curada. Eu ainda não tinha superado o jet lag, mas já precisei voltar imediatamente às filmagens.
Como fui gravar Divas Hit the Road primeiro, entrei para a equipe de filmagem mais tarde do que os outros, então tive que compensar muitas cenas em um curto período de tempo. Naquela época, todos os dias, às 8 ou 9 horas da manhã, a equipe começava a maquiagem e continuávamos gravando até as 11 da noite ou meia-noite. Meu corpo não aguentou, e acabei sofrendo uma perda auditiva súbita. Todos os dias, após as filmagens, eu precisava ir ao hospital para receber soro intravenoso por cinco horas. Quando voltava para casa e ia dormir, já estava quase amanhecendo, então eu só conseguia dormir duas ou três horas por dia.
Durante aquele período, meu corpo estava exausto, meu sistema imunológico estava enfraquecido, eu sentia dores na cintura e sofria com a perda de audição. Planejei descansar por algum tempo depois das filmagens e consegui me recuperar bem. Depois disso, gravei Love O2O.
Um soldado que não quer se tornar general não é um bom soldado, e um ator que não quer ganhar o prêmio de Melhor Ator não é um bom ator. Assim como quando eu estudava dança na Academia de Artes do Exército, eu sempre buscava estar entre os melhores. Da mesma forma, ao atuar e filmar, espero poder dar o meu melhor, ou pelo menos me esforçar ao máximo para fazer um bom trabalho.
Embora esta seja a era dos “pequenos galãs”, também sou muito grato por ser um desses “pequenos galãs” queridos por todos, mas quero me tornar uma “barriga de porco braseada”, com mais sabor e profundidade. Não vou decepcionar a mim mesmo nem aqueles que gostam de mim.
E agora, além de trabalhar duro para fazer bem o meu trabalho, vou me esforçar para fazê-lo cada vez melhor.
CAPÍTULO 04
Conhecendo Zhang Qiling
Um período após as filmagens de Dream of Red Mansions foi bastante confuso para mim. Eu não era um ator treinado; havia migrado do curso de dança. No início, tive muitas dúvidas e quase perdi o papel de Jia Baoyu.
Naquela época, todos os meus pensamentos ainda estavam voltados para a dança. Eu achava que seria bom permanecer na companhia como dançarino ou professor de dança após a formatura. Quando a equipe veio fazer a seleção de elenco, eu não tinha interesse, porque sentia que a carreira de ator era algo muito distante de mim e nunca havia pensado nisso antes.
Minha mãe soube que havia essa oportunidade e me disse: “Vá, esta é uma ótima oportunidade e é uma obra muito famosa.” Então eu fui e tive a sorte de interpretar o papel clássico de Jia Baoyu.
No entanto, a repercussão de Dream of Red Mansions após sua exibição foi mediana, provavelmente porque a versão anterior era clássica demais. Eu pensava que, ao interpretar Jia Baoyu, pelo menos seria mais fácil entrar no caminho da atuação depois disso. Sentia que era um ponto de partida relativamente bom. Mas, na realidade, após filmar Dream of Red Mansions, passei vários anos sem produzir obras de destaque. Participei de muitos dramas pouco conhecidos, e os personagens que interpretei também não foram lembrados.
Isso foi diferente do que eu esperava inicialmente. Tomei a decisão de deixar o exército e abrir mão da apresentação de formatura para me tornar ator. Eu achava que a profissão de ator era algo novo para mim, um mundo completamente novo. Estava cheio de expectativas e imaginação em relação a esse novo mundo, e pensava que minha carreira de ator seria como minha experiência no palco. Desde que trabalhasse duro e suportasse as dificuldades, eu alcançaria resultados. Mas a realidade não era tão simples.
Uma produção dramática envolve muitas pessoas e diversos fatores. Diferente da dança, em que, se você dança bem, pode se destacar e ficar na frente para que todos vejam. Nas filmagens, tudo depende de oportunidades. Por exemplo, se o papel combina com você ou não, se as pessoas vão pensar em você entre tantos candidatos, além da forma como a empresa gerencia seus atores, entre outros fatores.
Resumindo, durante aqueles anos eu não tive nenhum trabalho que fosse conhecido pelo público em geral, até encontrar o papel de Zhang Qiling em The Lost Tomb.
Eu soube que The Lost Tomb seria adaptado para uma série quando estava filmando The Four, porque a equipe de produção era a mesma. Todos comentavam sobre isso naquele período. Fiquei muito interessado e queria tentar. Coincidentemente, minha equipe também entrou em contato comigo e disse que eu faria um teste de câmera mais tarde.
Li Yifeng e eu nos encontramos pessoalmente com Sanshu (o autor do romance The Lost Tomb) em um restaurante em Xangai antes de irmos ao teste de câmera. Eu era uma pessoa difícil de lidar socialmente; não sabia sobre o que conversar quando conhecia alguém pela primeira vez, então raramente falava. Naquele momento, todos estavam conversando juntos. Depois de bastante conversa, Sanshu brincou comigo e disse: “Por que Yang Yang não fala?” Meu agente me ajudou e respondeu: “Ele já entrou no personagem.”
Mesmo depois de entrar para o elenco, levei muito tempo para me familiarizar com todos. Eu era relativamente tímido diante de estranhos. Não fazia isso de propósito; simplesmente não sabia o que fazer ou o que dizer. Por isso, depois de passar bastante tempo com a equipe, fui me adaptando gradualmente à vida no set. Eu me sentia muito confortável com a equipe, mas depois não gostava de sair, incluindo participar de gravações comerciais, entrevistas e até mesmo voltar para casa após as filmagens.
Toda vez que eu passava muito tempo com a equipe, precisava passar dois dias com meus pais quando voltava para casa. Eu simplesmente não conseguia me acostumar; não sabia o que dizer a eles. Precisava primeiro me readaptar à minha vida cotidiana normal e, só então, levá-los para comer fora, fazer compras ou assistir a filmes.
De qualquer forma, passaram-se dois ou três meses entre os primeiros testes de maquiagem e a confirmação final do papel em The Lost Tomb. Naquela época, eu estava muito nervoso, e houve muita controvérsia na internet depois que as fotos dos testes de maquiagem foram divulgadas, porque cada pessoa tinha sua própria visão de Zhang Qiling.
Afinal, eu era apenas um ator desconhecido. As pessoas diziam coisas como: “Nós nem sabemos quem você é, não o conhecemos. Como alguém assim apareceu de repente para interpretar Zhang Qiling?” Algumas pessoas até encontraram fotos minhas de muitos anos antes e começaram a reclamar daquele novato. “Como um garoto tão novo pode se tornar Zhang Qiling? Será que ele consegue interpretar bem o personagem?”
Para ser sincero, eu me senti um pouco injustiçado naquela época, especialmente quando vi as pessoas criticando minhas fotos antigas. Na verdade, eu já não era mais aquela pessoa. Conforme cresci, aprendi muitas coisas e amadureci. Mas essas pessoas não conseguiam ver isso; tudo o que criticavam era quem eu tinha sido no passado.
Quando a equipe finalmente confirmou a escolha e avisou meu agente de que Sanshu havia me selecionado, senti um enorme alívio. Mas, mesmo depois disso, continuei muito nervoso e não me permiti relaxar, porque havia muitas cenas em que eu precisava aparecer sem camisa, com um físico bonito e musculoso. Então comecei a treinar todos os dias. Também estudei o personagem, incluindo pesquisar na internet as avaliações e expectativas que as pessoas tinham em relação a ele.
Zhang Qiling é um personagem com muita alma em The Lost Tomb. Muitas pessoas tinham grandes expectativas em relação a ele, porque é muito misterioso, sua história de vida é muito diferente da dos outros e suas habilidades são extraordinárias. Eu esperava conseguir sustentar esse papel e evitar que as pessoas dissessem: “Como alguém poderia esperar que ele interpretasse esse personagem?”
Até hoje, um dos meus maiores medos é ser criticado por ter sido uma escolha errada para um papel. Por isso, estou sempre me motivando. Não quero ser rejeitado pelos outros.
A personalidade de Zhang Qiling é diferente da dos outros personagens. Ele não é um personagem comum e típico; é muito misterioso e habilidoso, além de ter mais cenas de ação na série. Por isso, não importava o quão tarde as filmagens terminassem, eu continuava me exercitando por duas horas todos os dias. A equipe designou um treinador para cada ator. Eu me sentia até um pouco culpado por fazer meu treinador trabalhar tão duro.
Eu tinha experiência com dança antes, então a postura e os movimentos das cenas de ação, incluindo o temperamento calmo de Zhang Qiling, eram mais adequados e fáceis para mim. No entanto, havia um grande problema: como interpretar as expressões de Zhang Qiling.
Qualquer pessoa que tenha lido a obra original sabe que Zhang Qiling é um personagem praticamente sem expressões. Isso pode ser resumido no que todos chamam de “rosto paralisado”. Ele não demonstra expressão alguma do começo ao fim. Na época, isso me deixou em conflito. Como ator, grande parte da sua habilidade de atuação se reflete no rosto. Mas, se você precisa interpretar um personagem sem expressão, onde ficam suas habilidades? O que exatamente você está interpretando? Como interpretar?
Naquela época, My Love from the Star estava muito popular. As pessoas ao meu redor diziam que o papel de Zhang Qiling era parecido com o de Do Min Joon, então eu poderia usá-lo como referência. Eu assisti My Love from the Star do início ao fim, mas, depois de terminar, percebi que ainda não servia, porque Zhang Qiling é diferente de Do Min Joon. Do Min Joon tem muitos momentos de distanciamento. Embora na maior parte do tempo ele não demonstre emoções, algumas cenas permitem que ele saia de sua identidade original e seja engraçado ocasionalmente.
Mas Zhang Qiling não é assim. Ele permanece sem expressão do começo ao fim. Você não consegue perceber nele nenhuma oscilação emocional. Depois de muito pensar, decidi que faria o máximo possível para respeitar a obra original. Afinal, todos já conheciam e aceitavam Zhang Qiling como ele era no material original. Se eu interpretasse uma versão completamente diferente, as pessoas poderiam dizer que não tinha nada a ver com a obra. Portanto, respeitar o original tornou-se um objetivo importante para mim. Embora Zhang Qiling realmente passe a impressão de ter um “rosto paralisado”, é inegável que ele também possui um charme bonito, frio e fascinante. Meu trabalho era mostrar todos os aspectos de Zhang Qiling e me aproximar o máximo possível da versão do livro.
The Lost Tomb foi um ponto de virada na minha carreira como ator. Durante aquele período, de repente, fãs começaram a visitar os locais de filmagem, e alguns passaram a me seguir nos aeroportos. O número de seguidores no Weibo aumentava quase um milhão por semana. Na época, eu não entendia muito bem o que estava acontecendo e fiquei bastante nervoso. Desde o início, eu já estava sob muita pressão para interpretar esse papel. Além disso, havia muitos fãs me observando todos os dias, o que me deixava ainda mais ansioso. Eu tinha medo de não interpretar bem e de as pessoas acharem que eu havia destruído o personagem.
Há um pequeno episódio que ainda me lembro. Alguns fãs foram visitar o local das filmagens e disseram: “Yang Yang, por favor, tire uma foto.” Depois de pensar um pouco, eu recusei. Não porque tivesse medo de exposição, mas porque meu pensamento era muito simples naquela época. Eu tinha receio de que, se as fotos vazassem, todos começariam a criar expectativas sobre a aparência de Zhang Qiling antes da estreia. Eu não me permitia ser descuidado de forma alguma. Hoje, pensando nisso, até parece engraçado. Mas, pelo menos, isso mostra o quanto eu me importava com esse papel e com a avaliação das outras pessoas, além do quanto eu tinha medo de ser rejeitado ou questionado.
Além disso, houve algumas histórias interessantes durante as filmagens de The Lost Tomb. Houve quem reclamasse que os abdominais de Zhang Qiling eram falsos. Quero esclarecer que eram reais. Eu treinava duro todos os dias para desenvolver meus músculos abdominais e fazia trinta flexões antes das gravações para aumentar a congestão muscular e deixá-los mais evidentes. Durante as filmagens em si, realmente eram desenhadas algumas sombras, mas isso é o mesmo princípio da maquiagem para fotografias. Muitas coisas ficam menos visíveis diante da câmera. As sombras serviam apenas para dar mais profundidade sob a iluminação. Isso não significa que eu não tivesse músculos. Seria realmente injusto pensar dessa forma.
Também havia a tatuagem de Zhang Qiling. Ela era bonita, não era? Mas era muito difícil de fazer e demorava bastante para ser desenhada. Depois das filmagens, também levava muito tempo para removê-la. Isso aconteceu entre novembro e dezembro, e eu precisava ficar sem camisa todos os dias para aplicar e remover as tatuagens. Dá para imaginar como era.
A coisa mais engraçada eram os dedos do “General Zhonglang Faqiu” de Zhang Qiling, que precisavam parecer muito longos. Era extremamente inconveniente colocá-los. Havia especialmente uma cena em que Zhang Qiling era levado de volta para descansar depois de derrotar o “Zongzi Milenar” na caverna, e Wu Xie me dava comida. Durante a gravação daquela cena, eu segurava os hashis e minhas mãos tremiam o tempo todo. Meus dedos estavam longos demais para conseguir segurá-los adequadamente. Eu simplesmente não conseguia. Li Yifeng e eu quase não conseguimos conter o riso.
Depois que The Lost Tomb foi ao ar, cada vez mais pessoas começaram a me conhecer. Lembro-me de uma vez em que fui a um banco próximo, e um homem me reconheceu e disse: “Esse não é Zhang Qiling?”
Por isso, o papel de Zhang Qiling significa muito para mim. Foi ele quem fez mais pessoas começarem a me conhecer, me acompanhar e gostar de mim. Além disso, investi muitos sentimentos nesse personagem, especialmente em uma cena em que fui sozinho ao Tibete para filmar. Os outros já tinham terminado suas gravações, e restou apenas a mim filmar o final de Zhang Qiling.
Foi a primeira vez que fui ao Tibete. Quando cheguei lá, não consegui me adaptar e me senti muito mal. Dormi a tarde inteira. No dia seguinte, fui até o distante Lago Yamdrok para gravar uma cena. A altitude era de mais de 4.800 metros, e justamente naquele momento havia uma grande tempestade de areia. Eu caminhava repetidamente, sem qualquer proteção e sem camisa.
Naquele momento, pensei de repente que, se Zhang Qiling realmente existisse na vida real, seria muito doloroso imaginar alguém vivendo sozinho em um ambiente assim e permanecendo em silêncio por tantos anos.
CAPÍTULO 05
A força de um ator é seu trabalho
Depois de estrear há bastante tempo, embora a maioria dos trabalhos que aceitei fossem dramas idol de romance, sempre valorizei as diferenças entre cada personagem quando escolho um papel. Eles precisam ser um pouco diferentes, e às vezes essa diferença pode ser enorme. Acho que interpretar papéis muito distintos é uma forma rápida e eficaz de treinar as habilidades de atuação de um ator.
Por exemplo, à primeira vista, o personagem Wu Qing em The Four e Zhang Qiling em The Lost Tomb podem parecer semelhantes na superfície, pois ambos costumam demonstrar poucas expressões. No entanto, há uma grande diferença entre os dois. A personalidade de Wu Qing é calma; embora, no fundo, ele seja uma pessoa apaixonada. Já Zhang Qiling possui um forte senso de dever e responsabilidade. São personagens completamente diferentes. Por causa dessas diferenças, eu procuro enxergar além da superfície de personagens aparentemente parecidos e tento compreender suas particularidades para melhorar minha atuação e me tornar um ator melhor.
O veterano Ruo Bai, em The Whirlwind Girl, é uma pessoa que parece séria por fora e quase nunca sorri, mas, na verdade, é alguém muito caloroso e atencioso. Ele faz muitas pequenas coisas discretamente e até recebeu o apelido de "Garota Caracol" (personagem do folclore chinês) de todos ao seu redor. Muito tempo depois de eu terminar as filmagens de The Whirlwind Girl, muitas pessoas ainda me chamavam de Papai Ruo Bai.
Quando a Love O2O, eu realmente gosto do personagem Xiao Nai. Ele é uma pessoa admirável. Possui alta inteligência emocional e intelectual e é extremamente competente em tudo o que faz. Tem sua própria carreira, valoriza o amor e a justiça e trata muito bem sua namorada. E não é uma bondade superficial; ele faz coisas atenciosas de forma discreta.
Pessoas como Xiao Nai talvez sejam extremamente raras no mundo real, mas eu me identifico com ele. Por exemplo, Xiao Nai nada, joga basquete e gosta de videogames, assim como eu. Nado muito bem. Também jogo basquete bem e gosto de jogar videogame. Esses aspectos do personagem combinam comigo e são fáceis de compreender.
No entanto, Xiao Nai também pode ser bastante frio. Como já interpretei Zhang Qiling, tenho uma percepção mais clara sobre isso, mas a frieza de Xiao Nai é diferente da de Zhang Qiling. Ele se diverte, às vezes provoca os outros com suas palavras, revelando um tipo de humor mais sarcástico. A maioria dos dramas em que atuei foi adaptada de romances, então costumo analisar quais aspectos dos personagens dos livros são mais identificáveis para o público. Faço anotações sobre que tipo de pessoa ele é na obra original. Quando atuo, espero ser o mais fiel possível ao livro.
A razão pela qual aceitei o papel em I Belonged to You foi porque Mao Shiba é um personagem simples, autêntico e que poderia ser encontrado em qualquer lugar. Além disso, o filme tinha uma ótima equipe de produção, um excelente diretor, uma boa obra original e um bom roteiro. Naquela época, eu estava filmando o filme Once Upon a Time e minha aparência não estava das melhores, então eu não queria encontrar o diretor Zhang Yibai. Como resultado, ele foi até o local das filmagens para conversar comigo sobre I Belonged to You. Pensei que teria a oportunidade de trabalhar com o veterano Deng Chao e aprender muito com ele. Era uma ótima oportunidade para mim, então aceitei.
Outra razão para eu aceitar I Belonged to You foi porque eu não queria interpretar sempre o mesmo tipo de personagem. Espero que o público consiga ver outro lado meu através de papéis que transcendam quem eu sou e que eu possa experimentar, por meio da atuação, vivências que nunca tive na vida real.
Naquela época, eu estava muito feliz. Todos os dias eu comia hot pot e cantava com a equipe. O veterano Deng Chao convidou um mestre em espetinhos para comer conosco. Depois, eu também convidei todos para comer. Durante as filmagens, eu aparecia bagunçado e sujo. Foi muito divertido.
Desde The Lost Tomb, tenho cada vez mais fãs. Sempre que tenho gravações, muitos deles me acompanham. Mesmo quando viajo para o exterior para participar de eventos, eles me seguem por toda parte. Voam para onde eu vou. Se vou para a Grécia, eles vão para a Grécia. Se vou para Istambul, eles vão para Istambul. Fico realmente emocionado e grato pelo entusiasmo e carinho deles. Às vezes me pergunto se eu teria tanta energia e dedicação para correr atrás do meu ídolo se estivesse no lugar deles. Acho que não. Por isso, sou muito grato por todo o amor e apoio que recebo.
Muitos fãs iam especialmente aos locais de filmagem de The Whirlwind Girl. Alguns até se voluntariavam para participar como figurantes, o que me emocionava muito. Mas, para ser sincero, isso também me trazia bastante pressão. Os fãs me acompanhavam praticamente o dia inteiro. Desde o momento em que eu saía do hotel pela manhã, durante o trajeto para as filmagens, na maquiagem e até durante as gravações, sempre havia fãs por perto. Eu não conseguia relaxar completamente porque sabia que todos estavam ali por minha causa. Sempre havia uma certa contenção, porque eu queria mostrar a eles minha melhor condição e meu melhor lado.
Ao mesmo tempo, isso também trouxe outro pequeno problema. Eu sentia pressão psicológica. Quando dormia no avião, quando comia, na escolha das roupas ou do estilo que deveria adotar, tudo precisava ser considerado. Como todos demonstravam tanto entusiasmo por mim, eu não podia simplesmente mostrar meu lado mais comum. Não quero dizer que esse lado seja ruim, mas todos têm momentos em que estão cansados, desarrumados ou de mau humor. Quando os fãs vêm vê-lo, certamente não querem encontrar essa imagem. Por isso, eu sempre procurava demonstrar uma imagem positiva e cheia de energia.
Na maioria das vezes, eu pegava um voo logo após terminar o trabalho. Esperava poder descansar bem durante a viagem, porque geralmente tinha outro compromisso assim que chegava ao destino. No entanto, como os fãs me acompanhavam de perto, eu sempre mantinha minha postura. Além disso, eu me preocupava muito com a segurança deles. Será que encontrariam algum problema no caminho? Será que aconteceria algo? Eu sentia que tinha responsabilidade sobre eles e queria garantir sua segurança.
Além disso, sou uma pessoa introvertida e gosto de manter um perfil discreto. Quando os fãs iam me encontrar no aeroporto, havia muita gente. Eu tinha receio de atrapalhar outros passageiros e a ordem do aeroporto. Se eu causasse transtornos ou incômodos para outras pessoas, me sentiria muito mal.
No fim das contas, percebi uma coisa: não acho que eu seja tão conhecido assim por todos. Por exemplo, quando os fãs iam ao aeroporto me encontrar, algumas pessoas observavam a cena e perguntavam: "Quem é ele? Não o reconheço." Quando alguém faz esse tipo de pergunta, significa que eu ainda não fiz o suficiente. Ainda não tenho tantas obras conhecidas, amadas e apoiadas por todos. Muitas pessoas ainda não sabem quem você é, e isso significa que você ainda precisa fazer mais.
Sempre acreditei que o mais importante para um ator são suas obras. Elas são mais convincentes do que qualquer outra forma de exposição. Essa também é a minha atitude profissional: independentemente do que você faça, o importante é falar através das suas realizações profissionais, e não por meio de notícias, polêmicas ou assuntos do momento. O que desejo é que mais pessoas me conheçam e me reconheçam por causa dos meus trabalhos. Isso é o que realmente me faz sentir realizado e confiante.
Por isso, vou continuar tentando muitos papéis diferentes. Até agora, já interpretei muitos tipos de personagens, exceto em dramas de época da Dinastia Qing e personagens extremamente perversos. Espero continuar lapidando e aperfeiçoando minhas habilidades através de diferentes papéis. Algumas pessoas podem achar que a atuação de Yang Yang não é tão boa, mas, para mim, eu sempre dei o meu melhor.
Na atuação, acredito que devo seguir o ritmo adequado para a minha idade. Atualmente, minha idade talvez seja mais adequada para dramas românticos. Tomemos Leonardo DiCaprio como exemplo. Quando era jovem, interpretava rapazes bonitos e brilhantes; mais tarde, tornou-se um ator extremamente talentoso, capaz de assumir papéis desafiadores. Da mesma forma, talvez eu ainda não consiga interpretar certos personagens neste momento. Os papéis de jovens me são mais familiares. Existem personagens que provavelmente serei mais capaz de dominar daqui a alguns anos, então é melhor deixar que as coisas aconteçam naturalmente.
Sei que ainda estou em processo de aperfeiçoamento. Sei que estou avançando passo a passo, aprendendo constantemente, acumulando experiência e enriquecendo a mim mesmo. Essa determinação me dá confiança e me faz acreditar que conseguirei fazer tudo cada vez melhor.
Meu plano é, provavelmente, participar de uma série por ano. Não quero fazer trabalhos em excesso, mas sim interpretar personagens de qualidade. Um bom roteiro, uma boa equipe e um bom elenco são fundamentais para o crescimento de um ator. Continuarei explorando e aprendendo, em vez de permanecer preso a uma imagem ilusória de ídolo, algo que considero imprevisível. Espero continuar melhorando de forma constante, de um modo que as pessoas possam perceber.
O que acredito firmemente é que, quando me esforço, tenho expectativas em relação a mim mesmo. Sei que posso me tornar uma pessoa melhor, por isso nunca duvido de mim mesmo.
CAPÍTULO 06
Encontrando sua juventude na história de outros
Os dramas românticos juvenis que aceitei não me atraíam apenas pelos personagens com os quais eu tinha algo em comum ou que considerava interessantes. Havia outro motivo importante: eles me permitiam compensar a “adolescência” que eu não vivi pessoalmente.
Passei minha adolescência na Academia de Artes do Exército, sob um regime de internato totalmente fechado. Todos os dias eu apenas transitava entre a sala de aula, o refeitório e o dormitório. Nem mesmo havia garotas nas salas de aula. A única atividade extracurricular era jogar basquete com meus colegas.
Eu gosto muito de basquete. Quando era criança, assistia a “Slam Dunk” e achava incrível quando os garotos jogavam bem. Houve até uma época em que fiquei obcecado por basquete. Foi justamente nessa época que meu nariz ficou torto.
Certa noite, eu estava jogando basquete com meus colegas até tarde na quadra. Já estava escuro e minha visão não era muito boa. Quando uma bola veio em minha direção, não consegui desviar e ela acertou meu nariz. Mesmo assim, continuei jogando e não dei muita atenção ao que aconteceu. Alguns dias depois, senti que o inchaço havia diminuído, mas percebi que algo estava errado: surgiu uma pequena saliência no dorso do nariz. Finalmente fui ao hospital e descobri que ele estava quebrado.
Alguns anos depois de entrar na indústria do entretenimento, fui ao hospital com meus pais. Não me lembro exatamente do que estava fazendo exame naquela ocasião. Durante a visita, aproveitei para consultar novamente um médico porque sempre sentia que aquela saliência no nariz parecia estranha. Toda vez que fazia uma sessão para revista, isso me deixava nervoso. Perguntei ao médico se era possível corrigir o problema. Ele respondeu que, para consertá-lo, seria necessário quebrar novamente os ossos do meu nariz e reconectá-los, mas não havia garantia de que ficariam alinhados corretamente. Havia a possibilidade de dar certo, mas também poderia continuar torto.
Então o médico me observou atentamente por um momento e disse muito sério:
— Você é um rapaz tão bonito, por que quer mexer nisso? Não precisa corrigir nada. Volte para casa. O que há para consertar quando já é tão bonito?
Depois disso, abandonei completamente a ideia de “consertar” meu nariz. Quanto mais eu olhava para ele, mais satisfeito ficava. Não havia necessidade de fazer nada especial. Por isso, minha “cirurgia” provavelmente foi a mais barata da história: custou apenas a passagem de ida e volta de ônibus.
Quando participei do filme The Left Ear, o cronograma estava extremamente apertado porque eu estava trabalhando em duas produções ao mesmo tempo: The Left Ear e The Lost Tomb. No início, hesitei em aceitar The Left Ear. Primeiro, porque me preocupava se meu corpo conseguiria suportar a carga de trabalho. Segundo, porque atuar em duas produções simultaneamente exige muito cuidado na construção dos personagens. Minha energia é limitada, e acredito que devo me dedicar totalmente a cada papel. Quando se interpretam dois personagens ao mesmo tempo, é preciso evitar que um influencie o outro.
Mas minha equipe acreditava que aquela era uma ótima oportunidade, porque The Left Ear também era uma adaptação de um romance IP best-seller, possuía uma enorme base de fãs, tinha investimento da Enlight Media e contava com uma equipe de produção sólida. Depois de refletir bastante, decidi aceitar o papel.
Esse também foi o primeiro trabalho dirigido por Su You Peng. De certa forma, o filme também representava uma estreia para muitos dos atores envolvidos: a protagonista feminina foi escolhida por meio de audições online e não tinha experiência prévia de atuação; o protagonista masculino, Ou Hao, era cantor e também tinha pouca experiência em cinema e televisão. Dentro daquele grupo, eu era considerado um dos atores mais experientes, então naturalmente assumi o papel de “irmão mais velho”, ajudando os outros a discutir cenas e compartilhando algumas técnicas de atuação.
O diretor Su também é do signo de Virgem. Pessoas de Virgem geralmente buscam a perfeição e às vezes podem parecer um pouco teimosas. Eu também sou assim e gosto de me desafiar. Como ator, o diretor Su era muito experiente, mas teve coragem suficiente para liderar um grupo de jovens com pouca experiência em atuação. Ele exigia muito de todos e frequentemente demonstrava pessoalmente como queria que uma cena fosse interpretada. Às vezes era bastante rigoroso.
O diretor Su tinha ideias muito claras sobre atuação e seus padrões eram extremamente elevados. Os atores precisavam alcançar aquilo que ele imaginava. Ele fazia você seguir suas orientações detalhadamente, a menos que conseguisse convencê-lo do contrário. Como muitos dos outros atores não tinham experiência, eu acabava discutindo mais frequentemente com ele. Compartilhava minhas ideias e minha compreensão de determinadas cenas. Em algumas ocasiões, ele gostava do que eu dizia, respeitava minhas opiniões e depositava confiança em mim.
Xu Yi é um personagem muito diferente dos típicos protagonistas de dramas juvenis. Ele possui várias camadas de personalidade. No começo, é uma boa pessoa: gentil, alegre e o garoto mais bonito da escola. Mais tarde, após viver um relacionamento, sua vida entra em declínio e ele se transforma em alguém muito diferente. Houve uma enorme reviravolta em sua trajetória. Como ator, esse era exatamente o tipo de desafio que eu queria enfrentar. Não gosto de interpretar personagens que mantêm a mesma aparência e expressão do início ao fim. Acredito que esse tipo de transformação ajuda a demonstrar melhor a capacidade de atuação.
Além disso, a personalidade de Xu Yi também me atraía muito. Ele não é como aqueles segundos protagonistas masculinos dos dramas românticos, que são perfeitos, gentis, bons em tudo e fazem coisas pelos outros em silêncio. Personagens assim costumam não deixar uma impressão marcante porque não têm nada de realmente especial. São como água: sempre presentes, mas difíceis de lembrar. A heroína nunca se apaixona por eles. O público admira sua bondade, mas continua escolhendo torcer pelo protagonista principal. Na minha opinião, personagens assim são entediantes e sem vida.
Mas Xu Yi não é assim. Ele tem sua própria história, uma personalidade forte e uma grande intensidade emocional. É possível sentir a “força” desse personagem. Mesmo que sua trajetória no filme seja de decadência, ele continua extremamente vivo e complexo.
Essa é a principal razão pela qual eu gosto tanto de Xu Yi.
Por causa disso, encontrei um “pequeno problema”. Algumas pessoas se envolvem tanto com filmes e dramas que acabam confundindo os personagens com os atores. Elas costumam associar a imagem do personagem diretamente à pessoa que o interpreta. Depois do lançamento de The Left Ear, algumas pessoas comentaram na internet: “Depois de ver Yang Yang interpretando Xu Yi, não gosto mais dele”, e se tornaram antifãs imediatamente. Isso é realmente injusto. Eu apenas interpretei aquele papel.
E há um pequeno arrependimento em relação ao desfecho de Xu Yi. Na verdade, quando estávamos filmando, Xu Yi tinha um final mais completo. Ele explicava claramente para Xiao Er que havia escolhido deliberadamente seguir um caminho ruim, tornando-se cínico, se autodestruindo e machucando Xiao Er por tanto tempo, mesmo sabendo de tudo no fundo do coração. Por isso, durante as filmagens, gravamos outra cena em que Xu Yi dava uma explicação a Xiao Er.
No entanto, após várias discussões, decidimos deixar o final de Xu Yi em aberto e não explicar completamente o personagem. Assim, a versão final que o público assistiu foi resultado dessa edição. Muitas pessoas ficaram apenas com a impressão de que Xu Yi era um “canalha” e até descontaram essa antipatia em mim. Então, gostaria de esclarecer uma coisa: Yang Yang, como o “irmão mais velho” da equipe, cuidava muito bem dos colegas mais jovens. Especialmente com Xiao Er, ele não é aquele garoto canalha que vocês viram na tela do cinema.
Além disso, eu gosto de personagens de diferentes tipos e também gosto desse tipo de filme sobre juventude, porque ele me permitiu experimentar sensações e vivências que não tive durante minha própria adolescência. Eu imaginava como seria a juventude através desses personagens. Comparada a eles, talvez a minha adolescência tenha sido um pouco monótona.
Talvez isso pareça contraditório. Por outro lado, é algo de que me orgulho, porque cada pessoa tem sua própria maneira de lutar e aproveitar a juventude.
CAPÍTULO 07
No palco da Gala do Festival de Primavera
2015 foi o ano em que muitas das minhas obras foram apresentadas ao público. The Four, The Left Ear, Divas Hit the Road 2, The Lost Tomb e The Whirlwind Girl de repente passaram a dominar as telas. Havia muitas notícias sobre esses trabalhos e eles receberam enorme atenção. No entanto, fiquei realmente surpreso quando recebi o convite para participar da Gala do Festival da Primavera.
Quando eu era criança, assistia à Gala do Festival da Primavera com minha família todos os anos. Ainda me lembro de muitos programas clássicos, como Unforgettable Tonight, da professora Li Guyi, os esquetes da professora Cai Ming e os diálogos cômicos do professor Feng Gong. Ainda guardo essas lembranças com muita clareza.
Quando recebi o convite pela primeira vez, minha mente ficou completamente em branco. Pensei: “Meu Deus, isso é verdade?” porque eu nunca havia imaginado algo assim. Embora eu tivesse estudado dança quando era criança, pensava que, se um dia pudesse subir ao palco da Gala do Festival da Primavera, mesmo que fosse apenas em uma apresentação coletiva, já seria muita sorte. Mas aquilo era apenas um sonho infantil. Quando cresci, nunca mais pensei nisso e sentia que aquele palco estava muito distante de mim.
Eu não esperava que esse dia realmente chegasse.
Houve uma pequena reviravolta no processo. Quando recebi o convite inicialmente, disseram que haveria uma apresentação musical com quatro jovens atores populares cantando juntos. Mais tarde, informaram que o número havia sido cancelado, o que me deixou um pouco decepcionado. Depois me disseram que havia outro número musical, desta vez sobre o amor entre pai e filho. Eu faria uma parceria com o professor Tong Tiexin na música “Pai e Filho”. Disseram que esse programa era ainda melhor do que o anterior, então fiquei feliz novamente.
O professor Tong Tiexin é um cantor muito famoso e transmite uma energia extremamente positiva. Quando você está perto dele, sente aquela força típica de uma figura paterna. Durante os ensaios, ele me deu muitos conselhos e ensinou técnicas de canto que me ajudaram a melhorar rapidamente. Sou muito grato a ele.
Quando ensaiei com o professor Tong e mais tarde me apresentei oficialmente na Gala do Festival da Primavera, me entreguei completamente à performance. Tenho uma grande capacidade de me envolver emocionalmente, então pensava no meu próprio pai e em tudo o que ele fez por mim desde que eu era criança.
Embora eu não fosse cantor e tivesse pouca experiência com canto, acreditava que deveria cantar com sentimentos verdadeiros. Principalmente porque a letra daquela música me tocava profundamente. Era como abrir um álbum de memórias: a infância do filho, seu crescimento e o envelhecimento do pai. Era uma história que existia entre todos os pais e filhos.
Durante um ensaio com o professor Tong, eu até chorei no palco, porque a emoção parecia tão real que superava completamente a sensação de estar apenas participando de um espetáculo. Dizem que alguns membros da equipe também choraram ao assistir ao ensaio. Se me perguntarem como me senti em relação à minha apresentação na Gala do Festival da Primavera, acho que essa é a melhor resposta.
Quando eu era criança, durante o Ano-Novo Chinês, meus pais e eu visitávamos meus avós. Todas as famílias visitavam parentes e se reuniam em grandes encontros familiares. Sempre que parentes e amigos iam à minha casa, minha mãe comprava uma bandeja de frutas para mim porque todos sabiam que eu estudava dança. E, quando era pequeno, eu realmente me apresentava em troca daquela bandeja de frutas!
Na verdade, eu até me apresentava nos restaurantes. Os adultos costumavam me levar para jantar e, quando havia muita gente, me incentivavam a dançar para todos. E eu dançava mesmo. Depois da apresentação, o dono do restaurante me dava uma bandeja de frutas. Eu era realmente muito inocente naquela época. Só mais tarde percebi que o dono já pretendia me dar a bandeja de frutas; os adultos apenas usavam isso como forma de me convencer a dançar.
Minha família morava em Xangai quando eu era criança, e depois fui para Pequim estudar. Durante o Ano-Novo, era costume em Xangai que os pais colocassem algumas fatias de bolo de nuvem na bolsa dos filhos, simbolizando crescimento e progresso contínuos. No entanto, meu prato favorito durante o Ano-Novo sempre foram os bolinhos (jiaozi) e os tangyuan preparados pela minha mãe.
Acho que a coisa mais aguardada pelas crianças durante o Ano-Novo é receber envelopes vermelhos. Isso mostra que todos gostam de dinheiro desde pequenos. Mas, pensando bem, as crianças nem se beneficiavam tanto assim, porque não importava quantos envelopes vermelhos recebessem, quase sempre acabavam entregando tudo aos pais. Em praticamente todas as famílias era igual. Os pais guardavam o dinheiro “para elas”. Já era ótimo quando sobrava um pouco para usar como mesada.
Naquela época, o dinheiro que eu conseguia guardar era usado para comprar brinquedos, como pistolas de brinquedo e carrinhos de controle remoto. Depois dessas compras, quase não sobrava nada.
Mas algo ainda mais feliz do que receber envelopes vermelhos é poder entregá-los aos seus pais.
Consegui dar envelopes vermelhos aos meus pais depois que entrei na academia militar. Naquele momento, senti uma enorme satisfação. Tive a sensação de que havia crescido e assumido responsabilidades. Fiquei muito orgulhoso de mim mesmo.
Falando nisso, parece que o clima do Ano-Novo está ficando cada vez mais fraco atualmente. Não é tão animado quanto quando eu era criança. Hoje em dia, o Ano-Novo parece resumir-se a reunir a família para jantar e assistir à Gala do Festival da Primavera.
Quando meus pais souberam que eu participaria da Gala, ficaram mais animados do que eu. Afinal, a geração deles tem uma ligação emocional muito mais profunda com esse programa do que a nossa. Depois da minha apresentação naquela noite, recebi inúmeras mensagens de texto de colegas de classe, amigos, parentes e muitas outras pessoas. Muitos diziam: “Yang Yang, nós vimos você na Gala do Festival da Primavera”. Naquele momento, senti uma enorme felicidade e percebi o quanto eu era afortunado.
Naquela época, The Whirlwind Girl já havia sido exibido, então muitas pessoas me conheciam, especialmente os mais jovens. Nos bastidores, vários jovens dançarinos de apoio me reconheceram imediatamente e me chamaram de “Papai Ruo Bai”. Naquele instante, senti um grande calor no coração. O professor deles até me convidou para tirar fotos com o grupo. Eles ficaram extremamente empolgados quando tiramos as fotos juntos.
Naquele momento, pensei: se eu tivesse continuado seguindo a carreira de dançarino, será que estaria hoje no palco da Gala do Festival da Primavera?
Talvez sim, talvez não.
Mas, mesmo que estivesse, provavelmente seria como um dos dançarinos de apoio, não como um dos artistas principais.
De certa forma, o destino me levou por outro caminho. Comecei na carreira de ator e, no fim, cheguei a esse palco como um dos artistas principais. Senti-me realmente muito sortudo.
Por isso, valorizarei ainda mais essa sorte e continuarei me esforçando para me tornar uma versão cada vez melhor de mim mesmo.
CHAPTER 08
Divas Hit the Road
Quando a equipe do programa Divas Hit the Road me convidou para participar do programa, eu tinha acabado de terminar as filmagens de The Lost Tomb e queria relaxar. Eu sempre tive vontade de viajar para o exterior porque estava sempre ocupado com o trabalho e mal tinha tempo para isso. Mesmo quando ia para fora do país, era apenas a trabalho, então nunca conseguia realmente aproveitar os lugares.
Eu assisti à primeira temporada de Divas Hit the Road e achei muito interessante. Um grupo de pessoas cuidando umas das outras, passando de desconhecidos a familiares, como uma pequena família. Por isso, quando a equipe do programa me convidou para participar, minha equipe e eu ficamos muito felizes. Voamos diretamente para Hunan para nos encontrar com a produção.
Primeiro, eu pessoalmente achava que reality shows eram interessantes. Segundo, eles podiam mostrar o artista de forma mais direta, em vez daquilo que vemos por meio dos personagens em filmes e dramas ou das fofocas da mídia. De certo ponto de vista, os personagens que interpretamos e as notícias de entretenimento não podem representar as características reais do artista, porque essa “impressão” é mais uma suposição do público do que algo expressado diretamente pelo próprio artista. Comparativamente, os reality shows mostram de forma mais direta a verdadeira essência do artista em sua vida cotidiana, e eu gosto mais disso.
Claro, o resultado pode fazer você se tornar fã ou anti-fã de um artista. Essas eram coisas imprevisíveis, mas pelo menos durante todo o processo, a atuação do artista era relativamente real. Tentávamos ao máximo ser nós mesmos. Claro, isso também incluía alguns conteúdos que a equipe de produção posteriormente editava visando o efeito da transmissão.
Na nossa equipe da segunda temporada, eu era o mais novo. As irmãs mais velhas (as outras integrantes do elenco) cuidavam muito bem de mim, até como se estivessem mimando uma criança. Para ser sincero, eu gostava de cuidar delas também. Eu era elogiado desde pequeno, então, quando todas as pessoas da nova equipe me elogiavam, esse tipo de reconhecimento e afeto se estabeleceu rapidamente em pouco tempo, e isso foi algo muito positivo para mim. Por isso, enquanto elas me elogiavam, eu queria fazer as coisas da melhor forma possível, fazer mais por elas, cuidar delas e ajudá-las a assumir responsabilidades. Era algo que eu fazia com muita alegria e vontade.
Por exemplo, dirigir, carregar bagagens e encontrar direções. Eu achava que os homens deveriam fazer isso. Em Divas Hit the Road, como estávamos no exterior, surgiu o problema da barreira linguística. Meu inglês não era bom, então às vezes não era fácil pedir informações ou me comunicar. Lembro de uma vez em que Jing Boran e eu fomos ao hotel fazer o check-in de todos. No balcão da recepção, eu tentava explicar usando gestos para a recepcionista, esperando que Jing Boran viesse me salvar. Quando me virei, ele já tinha ido para o outro lado. Ele achava que podia contar comigo, mas eu também não fazia ideia do que estava acontecendo.
Foi bom ter dois rapazes no programa. Afinal, homens costumam ficar mais à vontade com outros homens e se sentem mais relaxados para conversar e brincar. Jing Boran chegou mais tarde. Antes da chegada dele, Zheng Shuang e eu já tínhamos nos aproximado. Depois que ele chegou, nós dois ficávamos juntos praticamente todos os dias.
A coisa mais constrangedora no começo foi que tivemos que dormir na mesma cama na primeira noite. Nós éramos dois homens adultos, e eu nunca tinha dividido uma cama com outro rapaz depois de crescer, sem mencionar que eu ainda nem conhecia bem Jing Boran naquela época. A personalidade dele é mais despreocupada, então ele disse que não tinha problema, mas eu ainda me sentia desconfortável. No início, dormíamos em direções opostas. Depois de um tempo, isso deixou de importar e fomos nos familiarizando aos poucos.
Achei que um reality show como esse era significativo porque todos nós éramos celebridades. Normalmente, você é o centro das atenções e quase tudo é cuidado pela sua equipe; raramente faz as coisas por conta própria. No entanto, participando de um reality show, primeiro você precisa contar consigo mesmo e depois tentar conviver com as pessoas da equipe. Embora fosse um grupo pequeno, você precisava lidar com pessoas que não conhecia para construir amizade em pouco tempo. Achei que isso foi um ótimo exercício. Pelo menos me ajudou a melhorar e me permitiu entender qual papel eu deveria desempenhar dentro de uma equipe e como me relacionar com outras pessoas.
A irmã Ning Jing tem uma personalidade muito adorável. Ela é uma grande mulher, mas ao mesmo tempo é como uma garotinha. É uma pessoa muito direta; quando gosta de você, ela diz isso abertamente. Então, toda vez que eu fazia algo pela equipe, ela era a primeira a me elogiar. Ela dizia:
— Quem se casar com Yang Yang no futuro será muito feliz.
A irmã Maomao era como a “irmã mais velha” de uma grande família. Você sempre podia perceber sua calma e sentir que ela era uma mulher forte. Nunca havia problemas com ela, e você não precisava se preocupar, porque ela conseguia administrar tudo muito bem.
A irmã Qing é uma pessoa que tem seu próprio espaço pessoal. Na maior parte do tempo, ela ficava imersa em seu próprio mundo, o que talvez fizesse as pessoas ao redor sentirem certa distância. Mas, para ser preciso, acredito que todo mundo tem sua própria “singularidade”. Seja no programa ou na vida cotidiana, todos possuem esse ponto de “diferença”. Talvez, no programa, essa característica da irmã Qing fosse mais evidente. Mas, na verdade, ela é uma pessoa maravilhosa.
A irmã Dafa, Chen Yifan, é uma pessoa muito animada. Ela frequentemente procurava direções comigo e me ajudava a pedir informações. Quando eu dirigia, ela costumava sentar ao meu lado para auxiliar. Vi que muitas pessoas a chamavam de “Garota Energética”. Ela realmente estava sempre cheia de energia, muito alegre, extrovertida e com uma personalidade excelente.
No início da exibição de Divas Hit the Road, Zheng Shuang e eu tivemos um “pequeno conflito” em determinado episódio. Na verdade, não foi culpa dela. Ela era a guia turística naquele momento, então, do ponto de vista dela, sentia que era sua responsabilidade quando eu desapareci. Eu sou uma pessoa que demora a se entrosar e sou bastante introvertido, então não conseguia aliviar o clima fazendo piadas. Naquela época, senti mágoa porque uma pessoa havia desaparecido da equipe, mas como ninguém percebeu? Eu era tão insignificante assim para eles?
Mas, pensando com calma, também era um sentimento de conflito interno comigo mesmo. Se eu tivesse sido mais racional, teria entendido que todos estavam muito preocupados e me procurando.
Então, naquela situação fria, cansativa e um pouco deprimente, vi Dafa e Jing Boran me procurando na rua. No momento em que os vi, foi como encontrar meus parentes. Senti:
— Ah! Finalmente estou em casa!
Mas, por causa da minha personalidade muito introvertida, não consegui demonstrar isso. Na verdade, eu estava muito feliz por dentro.
Antes de participar de Divas Hit the Road, eu imaginava que toda a viagem seria muito simples. Achei que, depois das gravações, quando as câmeras fossem desligadas, haveria membros da equipe para ajudar você. Só quando cheguei lá percebi que estava completamente enganado. Não importava quantos problemas você enfrentasse ou se conseguia resolvê-los; a equipe do programa não ajudava. Na verdade, eles até podiam criar alguns “pequenos problemas” para você.
Depois que desembarquei do avião, o primeiro “desastre” que enfrentei foi perder minha bagagem. Todas as minhas roupas e pertences estavam lá dentro. Naquele período, o clima em Londres era úmido. Fazia muito frio e chovia o tempo todo, então fiquei extremamente preocupado e com medo de nunca mais encontrar minha mala.
Naquela ocasião, pedi ajuda a alguém da equipe do programa. Aconteceu que um dos diretores também havia perdido a bagagem, então preenchermos os formulários juntos.
Felizmente, consegui recuperá-la, mas só alguns dias depois. Passei vários dias congelando de frio. Lembro que usava uma jaqueta de couro de manga comprida, mas mesmo assim sentia muito frio. Eu me sentia como um mendigo.
Quando encontrava problemas em Divas Hit the Road, no começo eu tentava fazer charme e pedir ajuda às irmãs da equipe de produção, mas o resultado era sempre frustrante, porque elas realmente não ajudavam. Às vezes eu já estava muito ansioso, mas elas continuavam sem ajudar, porque essa era a regra do programa.
Depois que as gravações terminaram, senti um grande apego à equipe de produção e aos outros artistas com quem trabalhei. Apesar de algumas pequenas dificuldades, conquistei muito e amadureci bastante. Por isso, quando as filmagens acabaram, ninguém queria realmente se despedir.
Todos criaram um grupo no WeChat por conta própria, dizendo que nos reuniríamos novamente no futuro. As cidades que visitei eram realmente lindas e interessantes. Pensei que, quando tivesse tempo no futuro, poderia voltar a visitá-las junto com meus pais.
CAPÍTULO 09
O momento que nunca esquecerei em minha vida
No início de 2016, fui agradavelmente surpreendido uma vez após a outra. Inicialmente, pensei que já tinha tido muita sorte ao participar da Gala do Festival da Primavera, mas depois não esperava que iria para Atenas participar do revezamento da tocha olímpica como um portador da tocha convidado. Participar pessoalmente de um evento tão importante me deixou muito surpreso.
Foi uma sensação maravilhosa. Eu me sentia como se estivesse em um sonho, mas ao mesmo tempo muito nervoso. Especialmente depois de assistir à cerimônia de acendimento da chama olímpica, uma sensação de solenidade me envolveu instantaneamente, e fiquei completamente fascinado.
Eu gosto de esportes desde a infância, e tenho bastante aptidão física. Quando era criança, havia uma turma de beisebol na escola, então participei dela. Mas naquela época eu não gostava muito de correr, especialmente no inverno, quando precisava usar várias camadas de roupa. Correr assim era muito cansativo. Quando cresci, fui me acostumando a correr após o aquecimento na academia, então hoje considero a corrida algo divertido.
No entanto, prefiro nadar e jogar basquete, especialmente nadar. Gosto muito da água e também da cor azul. Sinto-me livre e relaxado dentro da água, como se ela tivesse um poder de cura para mim.
Os meninos geralmente gostam de esportes. Meus amigos e eu também ficávamos muito animados a cada edição dos Jogos Olímpicos. Além de torcer pelos atletas do nosso país, às vezes fazíamos apostas amistosas sobre competições de outros países. As apostas geralmente envolviam modalidades esportivas das quais eu gostava mais e acompanhava com maior atenção, como atletismo, saltos ornamentais, natação, badminton, tênis de mesa, ginástica e levantamento de peso.
Como adoro natação, dois dos meus jovens atletas favoritos também são grandes nadadores. São Ning Zetao e Sun Yang, que todos conhecem. Quando Pequim sediou os Jogos Olímpicos de 2008, eu estava justamente gravando um trabalho e não tive tempo de visitar os locais de competição, mas frequentemente passava pelo Ninho do Pássaro (Estádio Nacional de Pequim) e pelo Cubo d’Água (Centro Nacional de Natação de Pequim). Eu dizia a mim mesmo que, no futuro, quando tivesse tempo, iria visitá-los. Nunca imaginei que, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016, teria a sorte de ser um portador da tocha olímpica. Claro, isso aconteceu principalmente porque a marca RIO, da qual eu era garoto-propaganda, patrocinava os Jogos Olímpicos, então tive a sorte de representar a China como portador da tocha.
Pela manhã, fomos ao Templo de Hera, em Olímpia, para testemunhar a cerimônia de acendimento da chama. A sacerdotisa suprema, interpretada pela atriz Katerina Lehou, acendeu a tocha olímpica e então iniciou o revezamento entre os portadores da tocha. O trecho pelo qual eu era responsável naquele dia ficava em uma ponte chamada Ponte RIO.
Quando o portador da tocha correu em minha direção, fiquei muito nervoso, porque o vento estava muito forte naquele dia. Naquele momento, eu só pensava que nada poderia dar errado até a tocha chegar até mim e que a chama não poderia se apagar de jeito nenhum. Felizmente, tudo correu bem e não houve nenhum incidente.
O trecho da ponte não era longo, cerca de 200 metros, então pensei em correr devagar. No instante em que recebi a tocha, senti uma enorme emoção e orgulho. Quanto mais eu corria, mais empolgado ficava. Acabei acelerando, meu cabelo ficou todo bagunçado e eu não conseguia controlá-lo. Rapidamente cheguei ao próximo trecho e passei a tocha para Amber Kuo. Nós dois nos sentimos fortes e honrados.
Depois de entregar a tocha, percebi que meu braço estava dolorido, por causa da emoção e do nervosismo. Então comecei a relaxar e a aproveitar o fato de estar participando dos Jogos Olímpicos.
Este é um momento que jamais esquecerei em toda a minha vida.
Aqui, quero agradecer especialmente aos meus fãs. Depois que descobriram que eu seria portador da tocha olímpica, ficaram tão animados quanto eu. Eles me deram muito incentivo e apoio, e alguns até acompanharam toda a jornada. Durante esse evento, eu não me comuniquei diretamente com eles, mas eles me seguiram silenciosamente e cuidaram de mim o tempo todo. Fiquei profundamente emocionado.
Eu gosto de todas as atividades em equipe, o que talvez esteja relacionado à minha experiência em uma academia militar de artes. Acredito na força do grupo e acho que o sentimento de orgulho coletivo é maior do que o individual. Assim como toda vez que a equipe chinesa vence, todos os chineses ficam extremamente felizes. Na verdade, você não está no estádio nem participando da competição, mas sente aquele orgulho vindo da equipe, e isso é algo muito emocionante.
Por isso, às vezes penso que, para meus fãs, a Associação de Apoio aos Fãs de Yang Yang é uma equipe. Eles compartilham o mesmo entusiasmo e senso de honra. Querem que eu me torne cada vez melhor e que eu seja um artista exemplar. Por isso, sei que tenho essa responsabilidade.
Assim como os atletas que participam das Olimpíadas, ninguém representa apenas a si mesmo; todos representam também a equipe e o país que estão por trás deles.
Da mesma forma, entendo que, como artista idol, é fácil ser colocado por todos sob os holofotes. Mas, ao mesmo tempo, minha equipe, meus parceiros, meus patrocinadores, meu público e meus fãs também contribuíram para isso. Portanto, não me permito fazer as coisas de forma medíocre. Vou sempre dar o meu melhor, como se estivesse participando de uma competição.
CHAPTER 10
O tipo de jovem (young) que eu sou
Nos últimos anos, participei de mais eventos de moda. Acho que a moda deve ter suas próprias características. Já fui à Semana de Moda duas vezes, e a sensação da primeira vez foi completamente diferente da segunda. Eu nunca tinha visto um desfile daquele tipo antes, então, quando fui pela primeira vez, tudo o que vi parecia muito estranho e novo. Sentia que cada desfile tinha sua própria história e que cada marca possuía sua própria trajetória e atmosfera.
Quando fui pela segunda vez, já conseguia perceber algumas experiências próprias. Por exemplo, depois de assistir a um desfile, eu sabia quais estilos combinavam comigo e quais eu não tentaria usar tão cedo. Essas percepções foram acumuladas ao longo da minha jornada no mundo da moda.
Além da atuação, também faço mais ensaios para revistas, tiro mais fotos bonitas para que todos possam ver, registro diferentes versões de mim mesmo e mostro lados variados da minha personalidade. Por meio disso, vou formando meu próprio estilo de moda. Na vida real, sou uma pessoa mais discreta. Não uso roupas extravagantes, shorts muito curtos ou peças com muitos estampados e enfeites, porque não combinam comigo. De modo geral, as roupas precisam ser confortáveis, porque o conforto é o mais importante.
Também gosto de ir à praia. O lugar que mais quero visitar é o Mar Egeu. Na primeira vez que viajei para o exterior, fui para Koh Samui. Fiquei dois dias no hotel e depois visitei alguns lugares interessantes nos arredores. Estar perto da água me traz tranquilidade. Gosto muito da água e do mar.
Nos últimos anos, fui a Paris com mais frequência por causa do trabalho. Paris me passa a impressão de ser um paraíso das compras. Normalmente, não tenho muito tempo para fazer compras, e isso não é muito conveniente. Toda vez que vou para o exterior, especialmente para Paris, a primeira coisa que faço é correr para os grandes centros comerciais para comprar presentes para minha família e meus amigos. Depois disso, volto para o hotel e começo a trabalhar quando tenho compromissos profissionais.
Não faço nada de muito especial no meu tempo livre. Geralmente apenas leio livros e jogo videogame. Também raramente vou ao karaokê. Normalmente não saio quando meus amigos me chamam para passear, a menos que um grupo de amigos muito próximos combine de se reunir.
Meu maior hobby são os esportes ao ar livre, como esqui, kart e outros. Andar de kart é algo indispensável para mim. Eu costumava procurar pistas de kart instaladas em estacionamentos subterrâneos. Na época, havia promoções em grupo. Eu comprava dez ingressos de uma vez, cada um valendo cinco minutos. Toda vez que dirijo um kart, meu corpo inteiro treme, mas mesmo assim continuo adorando.
Quero experimentar todos os esportes emocionantes. Por exemplo, quando gravei Divas Hit the Road, andei na montanha-russa de alta velocidade do Ferrari World Dubai (em Abu Dhabi). É a montanha-russa mais rápida do mundo, alcançando mais de 200 quilômetros por hora. Foi muito divertido e me fez sentir a emoção da velocidade e da adrenalina.
O mesmo aconteceu com o voo de parapente em Divas Hit the Road. Embora eu tivesse um pouco de medo e sofresse de vertigem, me diverti muito. Como homem, acho que é algo que vale a pena experimentar.
Esquiar também é muito interessante para mim. Aprendi muito rápido. Fui sozinho para uma estação de esqui e, já na primeira vez, encarei uma pista avançada. Caí o caminho inteiro com o snowboard. Não conseguia me controlar de forma alguma e era lançado para todos os lados. Quando estava chegando ao final da pista, fiquei rezando para não cair. No fim, assim que alcancei a linha de chegada, caí imediatamente no chão.
Durante o mês seguinte, senti como se meus ossos estivessem quebrados. Minhas costas inteiras ficaram cobertas de hematomas, e a dor era muito forte.
Quando era criança, também gostava de patinar. Acho que foi antes de entrar na escola primária. Naquela época, a patinação era muito popular. Muitas pessoas usavam patins de quatro rodas em duas fileiras, mas eu usava patins inline, de uma única fileira. Muitas pessoas me viam patinando muito rápido e vinham atrás de mim tentando me alcançar, mas não conseguiam. Eu ficava muito satisfeito com isso. Agora que penso nisso, percebo que não era uma atitude muito boa.
De modo geral, meu círculo de vida, meu ambiente de trabalho, minhas relações sociais e meu estilo de vida são simples e descontraídos: comer, gravar e me divertir. Não há nada do que eu esteja insatisfeito, nem nada com que eu precise me preocupar.
Alguns anos atrás, li um livro chamado O Alquimista. Ele foi recomendado por um grande amigo meu, Jia Shikai. Esse é o melhor livro de literatura estrangeira que já li até hoje. Gosto muito do personagem do pastor porque adoro a forma como o livro conta a história de um garoto comum que persegue seus sonhos com coragem, usando uma linguagem alegórica, cheia de significados e ensinamentos.
Aprendi muito com esse pastor, ou talvez eu sempre tenha sido assim. Desde os dez anos de idade até hoje, independentemente de estar no fundo do poço ou no auge, nunca passei por grandes crises emocionais, e minha forma de pensar não mudou muito.
Quando enfrento grandes mudanças, estou sempre preparado para fazer aquilo que devo fazer. E acredito firmemente que encontrarei minhas próprias conquistas.
Felizmente, meus pais, as pessoas ao meu redor e minha equipe sempre respeitaram meus pensamentos e minhas decisões. Eles aceitam minha personalidade, minha simplicidade e meu jeito de demorar para me entrosar com pessoas novas.
Sou muito grato a eles.
E também agradeço a todos vocês pelo apoio.
Todos nós vamos nos tornar melhores.

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